Os conflitos bélicos são eventos trágicos e devastadores que causam inúmeras perdas e sofrimento humano. Entretanto, a paz não está diretamente ligado a ausência de guerra, como bem lecionou Kant: “O Estado de paz entre seres humanos que vivem próximos uns aos outros não é nenhum estado de natureza (status naturalis), que é, ao contrário, um estado de guerra (…)”
Os conflitos bélicos são eventos trágicos e devastadores que causam inúmeras perdas e sofrimento humano. Entretanto, a paz não está diretamente ligado a ausência de guerra, como bem lecionou Kant: “O Estado de paz entre seres humanos que vivem próximos uns aos outros não é nenhum estado de natureza (status naturalis), que é, ao contrário, um estado de guerra (…)”
Embora seja difícil argumentar que os conflitos bélicos trouxeram benefícios diretos para a humanidade, é possível destacar alguns pontos indiretos que podem ser considerados como consequências ou lições aprendidas em certos contextos históricos. No entanto, é importante ressaltar que esses pontos não justificam ou amenizam o impacto negativo geral dos conflitos bélicos.
O primeiro que podemos citar é os avanços tecnológicos, durante períodos de conflito, muitas vezes ocorrem avanços tecnológicos motivados pela necessidade de desenvolver armamentos e táticas militares mais eficazes.
Exemplos disso incluem o desenvolvimento de tecnologias de comunicação, sistemas de navegação, medicina de emergência, materiais resistentes, entre outros. Embora essas inovações tenham sido inicialmente impulsionadas pela guerra, muitas delas encontraram aplicação posterior em áreas civis, contribuindo para o progresso tecnológico em geral.
Outro ponto importante são as mudanças políticas e sociais que os conflitos bélicos podem gerar. Revoluções, independências nacionais e a luta por direitos e liberdades civis muitas das vezes surgem em momentos de conflito. Exemplos históricos incluem a independência de várias nações colonizadas, a luta pelos direitos civis em diferentes países e o avanço da democracia em certos contextos.
Embora essas mudanças sejam geralmente resultados de longas lutas e processos complexos, o ambiente de conflito pode servir como catalisador para a busca de mudanças e transformações sociais. Nesse mesmo sentido, temos um dos mais nobres sentimentos que é exteriorizado durante as guerras, a solidariedade e cooperação internacional.
A grande maioria dos conflitos bélicos tem o poder de gerar em outros indivíduos e nações uma resposta de solidariedade e cooperação internacional, a ajuda humanitária, os esforços de reconstrução pós-conflito e a promoção da paz são exemplos de iniciativas que surgem em resposta aos horrores da guerra. Organizações internacionais e acordos de cooperação são estabelecidos para prevenir conflitos futuros, promover a reconciliação e garantir a segurança coletiva.
Temos como exemplo de cooperação entre os países após o Tratado de Washington que é o documento fundador da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em seu artigo primeiro fica estabelecido que os países signatários concordam em se unir com base nos princípios da Carta das Nações Unidas e em seu desejo de promover a estabilidade e o bem-estar no Atlântico Norte.
Os países também reafirmam seu compromisso com a liberdade, a paz e a justiça, bem como o princípio de que uma agressão armada contra qualquer um dos países membros será considerada uma agressão contra todos.
Embora seja lamentável que essas ações sejam necessárias devido aos conflitos, elas representam um esforço para superar os desafios e trabalhar em prol de um mundo mais pacífico e justo.
No entanto, é crucial reiterar que esses pontos não são intrínsecos aos conflitos bélicos e podem ser alcançados por meio de outros meios pacíficos e cooperativos. A promoção da paz, da diplomacia, do diálogo e do respeito mútuo são essenciais para evitar o custo humano e material associado aos conflitos bélicos. Embora possamos discordar dos argumentos subjacentes, é inegável a relevância, nos dias atuais, da famosa frase atribuída a Heráclito, um filósofo pré-socrático da Grécia Antiga: "polemos pater paton" – o conflito é o pai de todas as coisas.
Ainda que a guerra seja um evento trágico e devastador, é possível identificar alguns desdobramentos indiretos que podem ser considerados benefícios em meio ao caos bélico.
Entretanto, é importante enfatizar que esses benefícios são secundários e não compensam o sofrimento humano e os danos causados pela guerra.
Bibliografia: KANT, Immanuel. A paz perpétua: um projeto filosófico. Editora Vozes, 2020.